No Divã
Confissões de um pai coruja: A Rainha
por Odailson Fonseca    Dia 20/07/2016      No Divã

Mulher faz de tudo um pouco. E nem por pouco deixa de dar conta de tudo! Hoje eu entendo melhor porque no xadrez o “rei” pode até valer o jogo, mas só anda uma casa de cada vez. Já a “rainha” tem mais força e mobilidade do que todas as outras peças juntas. Sei lá quem inventou isso, mas acertou!

Outro dia, refletia com alguém sobre “uma alguém”, e concluímos o óbvio ignorado: o sexo feminino de frágil mesmo só tem os delicados cílios que emolduram seu olhar implacável. Porque elas estão lá, e sempre ali, como discretas fortalezas em seus indecifráveis rochedos. São constituídas de fibra de carbono com a doçura do alcaçuz. Algumas embalam seus filhos, outras também ninam seus maridos. “Aquela ali é mãe de dois!”, escutei sobre outra heroína cujo filho

Lembro-me da cena presenciada no estacionamento do supermercado, na última terça-feira: a rainha de um lar descarregava o carrinho de sacolas, enquanto tinha um bebê preso às suas costas, e alertava sua irmãzinha mais velha a não se afastar do carro. “Coisa simples!” – diria quem vê a vida correndo desatento por ela.

Acredito que não exista sequer uma mulher na face da Terra sem o desígnio da superação. Geralmente pro bem e, raramente, o oposto. Tanto é que se ELE larga a família por uma aventureira de curvas mais jovens, nem jornal de condomínio publica. Mas se é ELA deixando sua cria às margens do rio, instantânea notícia mundial! Porque se ELES vacilarem, elas segurarão as pontas. Agora, se ELAS recuarem, quem é que organizará a geladeira? Por sabermos disso, ainda que entalado lá no subconsciente machista, inflamos certos egos iludidos de que a força bruta vale mais que a versatilidade eficaz. Engano tolo de quem perde aliadas na guerra kamikase da vida!

Enfim, ser pai de uma rainha e súdito de outra tem me ensinado muitas coisas capazes de deixar qualquer homem com seu machismo em colapso. Se uma mergulha feliz dentro da bacia, a outra corre incansável mais que na academia. Ambas me tornam minoria absoluta no planeta do nosso lar. E é incrível como adoro isso! Oscilo entre admiração e diversão, homem da casa e bobo da corte, o fortão pra trocar água do filtro e o inepto tentando trocar uma fralda às pressas. Por aí vai, elas dominando o tabuleiro inteiro, e eu valendo o jogo – mas de casa em casa. Somos felizes assim, porque Deus me fez para admirá-las: como “alguém que auxilie e corresponda” (Genesis 1:18 – NIV) Isso não é incrível? Da saudade solitária do homem Deus a fez mulher, e da versatilidade resistente divina Ele a fez rainha. Que elas prossigam incansáveis e inspiradoras. Que suas virtudes continuem admiráveis. E que a partida não acabe tão cedo. Pois neste tabuleiro as peças principais foram feitas para viverem juntas e cúmplices – sem perderem jamais.

Xeque Mate!

Odailson Fonseca
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